quinta-feira, 21 de agosto de 2014

MORPHINE: Da adolescência à vida adulta


De 04 a 07 de setembro (2014) acontecerá na capital do Paraná, a GIBICON, a festa do quadrinho de Curitiba. Com direito a convidados especiais, exposições, oficinas e palestras. E entre os lançamentos está MORPHINE de Mario Cau (Terapia, Dom Casmurro, Pieces).

Uma pincelada sobre a história: Morphine é a nova casa noturna da cidade onde um grupo de amigos se reencontra. Da alegria dos reencontros passando pela comemoração, ressaca e cafezinho do dia seguinte, os personagens se envolvem, se desenvolvem e se revelam, expondo fraquezas e forças. Paixões não correspondidas, solidão, bom-humor, inseguranças e medos precisarão ser encarados neste conto urbano tecido com o texto natural e o traço envolvente de Mario Cau.


A pré-venda tem uma série de vantagens exclusivas (veja na imagem acima) entre as quais o envio do livro ANTES do lançamento na Gibicon. Texto e Arte: Mario Cau. Capa cartonada colorida, miolo PB, 112 páginas, pagamento via pagseguro, moip e boleto. Adquira direto no site ou loja do autor. A promoção é limitada vai até o sábado 24 de Agosto, então é bom correr para aproveitar!


terça-feira, 19 de agosto de 2014

A Vida do Mago chega ao Cinema!



Paulo Coelho sugere polêmica, não que ele mesmo seja polêmico, mas é um autor que polariza opiniões. O filme cujo título é uma música homônima fruto de parceria com Raul Seixas sugere que as coisas mudam, nada pára... e se você parar, o mundo se encarrega de fazer as coisas andarem para você ou sobre você.

Entre os prejuízos do filme está a fórmula da modinha, a já cansada, desgastada - e neste caso específico - mal utilizada narrativa não-linear. Não fosse o carisma dos irmãos Júlio e Ravel Andrade, uma trilha sonora fantástica e mais alguns elementos de destaque, a experiência do filme seria insuportável. Os fatos apresentados desordenadamente confundem e em nada contribuem para a compreensão da trama.

Alguns pontos positivos: As relações estabelecidas entre Paulo e seu pai, um embate de egos que gera cenas envolventes e culmina num dos grandes momentos do filme; A amizade com Raul Seixas e o flerte do protagonista com elementos obscuros do mundo místico que não pareceram poupar o próprio Paulo Coelho de olhar para seus defeitos; E há de se mencionar a beleza com que é retratada a relação do Mago com sua esposa, sem pieguice como também são sem pieguice (e sem sensacionalismo) os momentos místicos retratados no filme.



Se o filme possui problemas e comete equívocos é natural que assim seja: Mas de modo algum é a melhor história de Paulo Coelho. É evidente que o subtítulo tem por objetivo vender o filme, possivelmente estimulando leitores e leigos a tentar descobrir se Paulo Coelho é seu melhor personagem. Detratores continuarão torcendo o nariz para a sua obra e continuarão ignorando suas conquistas literárias (e mercadológicas), fãs continuarão a admirá-lo, mas a neutralidade – se houver – pode aproveitar-se de uma bela viagem no tempo, pois nisto o filme supera expectativas, a reconstituição de época é imersiva ao ponto de minorar os problemas da narrativa truncada.


Não Pare na Pista é um filme interessante, com seus altos e baixos, que conta a história de um garoto que cresceu numa época em que a criatividade era uma maldição e amadureceu na luta para fazer desta criatividade seu meio de vida. 




MAIS:

Paulo Coelho no programa Roda Viva (TV Cultura)

NÃO PARE NA PISTA
Direção: Daniel Augusto
Roteiro: Carolina Kotscho

Elenco: Julio Andrade, Ravel Andrade, Fabíula Nascimento, Fabiana Guglielmetti, Paz Vega




segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Nota DEZ! Duas Vezes!



Sam Hart e Will Sideralman, o primeiro se firmou por um traço tendendo ao realista em publicações no Brasil, Estados Unidos e Inglaterra, o segundo é dono de um traço estilizado de personalidade singular, dentro e fora do Brasil. Transitando entre trabalhos autorais e encomendas específicas nas mais diversas linhas editoriais a dupla se reúne neste projeto para celebrar 10 anos de carreira e presentear a todos com uma publicação enxuta e carismática como o trabalho de ambos.

As histórias apresentadas no álbum serão uma prévia de novos projetos com páginas adicionais, preciosíssimas, resenhando vários aspectos de seus trabalhos. Em face a esta festa do quadrinho nacional o Laboratório Espacial trocou umas idéias com Will e Sam:

MARREIRO: Will, como foi seu início no mundo dos quadrinhos?
WILL: De 1999 até 2004 fiz parte de um grupo que frequentou alguns cursos e oficinas de Histórias em Quadrinhos dados por profissionais da área. Minha intenção sempre foi entrar nesse universo e me tornar um produtor, já trabalhava como ilustrador e diagramador nessa época. Aí, em julho de 2004, ajudei a criar o zine Subterrâneo, e foi nele que coloquei o pé definitivamente nesse mundo. Publicando inicialmente o Sideralman e depois o Demetrius Dante, até o fim do zine, oito anos depois. Com o Subterrâneo eu conheci outros autores e comecei a participar de várias publicações independentes que me ajudaram muito nesse início.
 

Qual a importância da produção independente para o mercado dos quadrinhos?
Ela é uma parte deste mercado, ser um autor independente é um dos caminhos para quem quer ser quadrinista. A produção independente aumentou muito, com ela, os autores cresceram se tornaram melhores, alguns atingiram a fama. Tem muito autor independente fazendo trabalhos para editoras. Existe muita qualidade nos materiais que são produzidos, tem pra todos os gostos. A grande mídia ainda não sabe disso e não se interessa em saber, na verdade não está preparada para saber.


Que principais mudanças vc apontaria do cenário da produção de quadrinhos de quando vc começou para os dias de hoje?
Como eu disse, a produção aumentou, os eventos de quadrinhos também, surgiram muitos novos autores independentes e essa fatia do mercado cresceu. As compras governamentais tornaram possível as editoras abrirem selos de quadrinhos e fazerem apostas em determinados autores. Os independentes conquistaram seu espaço nos eventos, novas comic shops abriram. A internet também cresceu, as redes sociais entraram na nossa vida e a mídia que se ocupa de dilvulgar os quadrinhos também, blogs, sites, podcasts, videocasts, etc... Surgiu o Catarse, e outros formatos de captação de recursos que estão ajudando um monte de autores a viabilizar seus projetos com sucesso.


O que nós leitores podemos esperar desta edição comemorativa 2x10!?
Duas histórias que foram feitas para divertir, é uma edição para quem curte o meu trabalho e o do Sam, porém, esperamos alcançar pessoas que não nos conhecem, ainda. As HQs que estão nessa revista são o ponto de partida para projetos maiores que estamos desenvolvendo. O roteiro que o Spacca me deu a honra de escrever espera desde 2009 para vir à luz. Na revista será apenas um aperitivo mas acho que as pessoas vão curtir. Vamos ter muitos desenhos na revista e também um pouco de história.




MARREIRO: Sam, como foi que você descobriu que queria trabalhar com quadrinhos?
SAM HART: Gostava de ler quadrinhos desde sempre, super-heróis, ficção-científica, ação, humor. Aos 6 anos, folheando um gibi do Superman me dei conta que haviam estilos diferentes nos desenhos das histórias e que, portanto, várias pessoas devem trabalhar com isso - e não somente um cara, fazendo todos os gibis do mundo :) Pensei, é isso que quero fazer!



O que você acha mais interessante nesse modelo de financiamento participativo?
É a primeira vez que tenho um projeto meu procurando financiamento, se bem que já apoiei vários tanto no Catarse quanto no Kickstarter. Acho interessante que está se realizando o futuro previsto pelo Scott McCloud no seu segundo livro (Reinventing Comics), onde ele fala sobre micro-pagamentos e uma conexão mais direta entre produtores e consumidores. Inclusive, um dos elementos da minha HQ é que há um futuro "imaginário", relacionado à produção de quadrinhos. Imaginário entre aspas, pois sou da opinião que esse futuro está próximo.


Neste projeto você e Will produzem e editam seu próprio material. Qual a diferença de ter um editor orientando o alinhamento do seu trabalho de você mesmo fazer as escolhas editoriais?
Tenho experiência com quadrinhos autorais, na Front, Kaos e fanzines na escola, faculdade e depois. Gosto de equilibrar os projetos mais pessoais, onde eu dito o estilo, o número de páginas e posso mudar o layout ou o roteiro a qualquer hora, com os trabalhos contratados, onde é necessário seguir com maior exatidão um caminho pre-estabelecido. Em ambos os casos, há problemas e questões de narrativa que precisam ser resolvidos - e, tanto quanto desenhar, gosto de resolver esses dilemas.


Esta edição comemora 10 anos de carreira. Quais anseios ou qual motivação fundamentou a escolha do tema trabalhado nesta produção específica?
Da minha parte: olhar para o passado - como é apropriado à uma edição de comemoração - com minha paixão pelos super-heróis, e também para o futuro, os quadrinhos independentes e histórias mais pessoais, são a base para as duas linhas que compõem minha HQ. O roteiro é algo em que estava pensando durante bastante tempo e, quando o Will sugeriu de fazermos essa edição, me empolguei para fazer o roteiro e desenhar pois estava muito tempo sem produzir uma HQ completamente do zero!


O lançamento do álbum está programado para a ComicConExperience (São Paulo, dezembro,2014).
Para financiar este projeto siga os links e verifique os prêmios fantásticos (livros, revistas, camisetas, prints, desenhos exclusivos) que eles estão disponibilizando para quem colaborar com valores acima de R$ 20,00.
revista capa colorida, 48 páginas, formato americano com leitura Flip-Flap. Se o financiamento participativo atingir a meta estendida, a revista sai com o miolo colorido!
MAIS:
2x10 (Will e Sam no catarse)

ALIANÇA - Uma aventura da série Profanatus


Vampiros são criaturas das trevas, imersos no dilema de matar para sobreviver encarando a angústia de dialogar com o mal por toda a eternidade. Símbolos sagrados, luz solar, água corrente, fogo não são elementos de fácil trato para essas criaturas.

Os personagens desenvolvidos por Fernando Lima para a série Profanatus encontram mais semelhança com os agora clássicos de Anne Rice do que com os crepusculares de Stephenie Meyer (apelidados de fadinhas pelos fans tradicionalistas da mitologia vampírica). A série desenvolvida pelo Jornalista, Escritor, Ilustrador e Designer Fernando Lima nasceu nas mesas de RPG e migrou para o mundo das ilustrações em meados dos anos 90 quando estamparam várias matérias ilustradas nos fanzines Pergaminho e Fortaleza By Night. E é na capital do Ceará que se passam as aventuras dos Profanatus.

Num mundo alternativo onde as trevas predominam sobre a luz e a decadência política e social não usa mais tantos eufemismos para se disfarçar, encontramos um protagonista que é tragado para um grande conflito por elementos de seu passado.

Lançado originalmente em capítulos no site www.armagem.com, ALIANÇA ganha agora versão impressa pelo selo Laboratório Místico. São 40 páginas, formato 20cm x 14cm, capa colorida e miolo PB. Inclui matéria sobre o surgimento da série nas mesas de RPG e um histórico sobre os Vampiros e sua evolução desde os mitos antigos até recentes versões cinematográficas. A revista pode ser adquirida via e-mail (labespacial@gmail.com).


quinta-feira, 31 de julho de 2014

Guardiões na Ópera




O termo Space Opera, a exemplo de vários outros teve sua conotação mudada com o tempo. Surgido inicialmente como termo depreciativo e se sofisticado para categorizar um tipo específico (e muito nobre) de ficção científica: dramas heróicos passados em mundos distantes envolvendo grandes conflitos ou combates em um tom otimista. A odisséia de Flash Gordon no Planeta Mongo, a trajetória da família Skywalker em Guerra nas Estrelas e as viagens da nave estelar Enterprise e sua tripulação ganham agora uma companhia inusitada. O até então desconhecido e desajustado grupo de super-heróis espaciais da Marvel Comics: Os Guardiões da Galáxia.

Houve tempos em que ler uma história em quadrinhos era uma experiência não apenas fascinante, divertida e única: era uma experiência autocontida. Nesta época, surgiram os personagens Thanos, Warlock, Gamora, Rock Racoon, Nova e os Guardiões da Galáxia. É preciso dizer que com a evolução do mercado de quadrinhos e a influência (e concorrência) dos mangás, os quadrinhos ocidentais ganharam histórias confusas, falsamente adultizadas, sem fim, repletas de ganchos e atadas a supersagas de final medíocre.

Se há um mérito que precisa ser dado às adaptações cinematográficas é que quando bem executadas elas “limpam a casa” para que um novo público possa embarcar na sua narrativa compreendendo exatamente do que se trata a trama e quem são os personagens. E é isto que está acontecendo com os Guardiões da Galáxia.

Uma busca interplanetária por meio de planetas exóticos repletos de adversidades e ameaças de grandes proporções. Ronan é um vilão perverso e poderoso sem maiores conflitos psicológicos no que tange a massacrar seus desafetos. Entre estes desafetos estão os protagonistas: Senhor das Estrelas, Petter Quill, um “herói” cheio de defeitos, mas carismático e inteligente; Gamora, uma assassina habilidosa com motivações dúbias; Rocket Racoon um contraventor e caçador de recompensas de temperamento irascível;  Groot, uma forma de vida vegetal com um perspectiva diferente de todos... e Drax, também chamado de Destruidor - a vingança, o ódio e a fúria materializados num personagem curiosamente cativante.

E a reboque de uma incrível aventura a produção explora, expande e apresenta ao público o universo espacial já conhecido pelos leitores dos quadrinhos. Referências diretas e pequenas citações ocultas fazem parte desta construção, mostrada de uma maneira convincente e cativante. Pronta para conquistar fãs de quadrinhos e leigos da mesma forma. Com isto o Universo Espacial dos filmes Marvel se mostra sólido o suficiente e se torna um ambiente propenso a ser visitado várias e várias vezes.




Fita cassete do Petter Quill mp3 pra download: vai!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Clássicos da Literatura em Quadrinhos


É de conhecimento público a afinidade dos quadrinhos com o público jovem, seja por sua linguagem direta, seja pelo encanto promovido pelas associações entre palavra e imagem, seja pela diversidade de seus temas e gêneros. E é justamente a diversidade de temas e gêneros que encontramos na coleção Clássicos da Literatura em Quadrinhos (Editora L&PM). Longe de ser a primeira inicitiva em associar obras da literatura a quadrinhos, esta coleção chega para ampliar as opções no gênero.


A série Histórias Maravilhosas da saudosa editora Ebal marcou época nos anos 50 e várias iniciativas seguiram a tendencia tentando aproximar por meio das Hqs os leitores e as obras clássicas. A medida que esses produtos escoavam iam se aprimorando tanto em linguagem quanto em acabamento gráfico. Algumas adaptações antigas restringiam-se a acrescentar imagens ao texto original que sofria redução e cortes para contemplar o espaço da revista. A percepção de adaptação mudou com o tempo e é possível ver histórias recontadas adequando-se à linguagem própria do quadrinho com suas transições, viradas de página, full pages e outros recursos. Adaptar uma obra requer pinçar o interessante, o cerne das questões, as inquietações fundamentais dos personagens e da trama e enxugar gorduras e detalhes que nublem a obra. Esses critérios, definidos pelo editor e equipe criativa, resultam num novo produto que tem como bússola a obra original. Quadrinhos e Literatura na medida em que se utilizam de recursos distintos para transmitir sua mensagem são coisas diferentes, mas podem sim caminhar juntas.


Além de trazer a magia da imagem com suas cores, cenários e personagens exuberantes a coleção da L&PM apresenta matérias que contextualizam a obra ao final de cada edição. Com isso podemos saber mais sobre o escritor, a obra original, seu tempo e sua história. Os textos redigidos de maneira clara – sem enfeites e alegorias desnecessárias – somados às histórias muito bem contadas, empolgam e fascinam a ponto de gerar a necessária curiosidade a respeito a obra original. Quanto aos autores destes quadrinhos: de forma alguma são Pop Stars como Neil Gaiman ou Jim Lee, mas o resultado de seus trabalhos fala por si. De onde se conclui que uma boa obra em quadrinhos não se faz com nomes famosos, mas com uma narrativa bem construída.

MAIS: