quarta-feira, 24 de junho de 2015

Damas a Todo Vapor!

Esta caprichada publicação da Editora Draco com texto de Zé Wellington, arte de Di Amorim e Wilton Santos é um porto iluminado no mar de escuridão e depressão que são os quadrinhos de hoje, todos com seus personagens maníaco-depressivos trajando preto num universo igualmente soturno. O Velho Oeste aparece muito bem retratado nas cores quentes e claras produzidas magistralmente por Ellis Carlos.  A presença do sol é vívida e as cenas de deserto chegam quase a provocar calor.  O uso de tons de sépia nos flashbacks mantém o clima de western e casa perfeitamente com a construção da linguagem da obra.

A narrativa visual é moderna e alinhada com as tendências do mercado norte-americano de quadrinhos. Boas imagens de impacto com figuras exuberantes e ação crescente marcam o ritmo.

A tecnologia vapor-punk  tem presença massiva na edição mostrando um cenário onde todos estão presenciando o desabrochar das maravilhas tecnológicas. As 76 páginas, emolduradas por uma capa cartonada com aplicação de verniz, apresentam Sue e Rabiosa numa jornada de vingança num western luminoso, moderno e convidativo. No final há pistas claras de que este não será nosso único contato com estas belas e fortes damas da pólvora.

Serviço:
Steampunk Ladies - Vingança a vapor
Editor: Raphael Fernandes
Roteiro: Zé Wellington
Arte: Di Amorim e Wilton Santos
Cores: Ellis Calos
Letras e Grafismos: Deyvison Manes
76 páginas, cor, capa cartonada, verniz localizado
Lançamento Editora Draco
Compre online AQUI

domingo, 24 de maio de 2015

GRALHA - O Herói de um Mundo Pós-Moderno!

Pós-modernidade: a época das incertezas. O estado atual da arte onde tendências, estilos e gêneros mesclam-se à mídia, efemeridade, complexidade e significados infinitos que podem não levar a lugar algum. A perda de referenciais, a resignificação destes referenciais ou a negação da existência do referencial. Pós-moderno é o mundo exatamente do modo como não o conseguimos explicar.

Criado de uma experiência de brainstorm saído da mente de nove diferentes autores (escritores e artistas—ver box), o Gralha nasceu como materialização de elementos da cultura curitibana. A ave símbolo da cidade dá-lhe nome e suas aventuras se passam num futuro não muito distante. Prédios cada vez mais altos onde os espaços reduzidos impulsionam a vida vegetal para o topo destes arranha-céus.

Gustavo Gomes, devidamente aliterado, descobre um uniforme e duas orbes (as gemas do poder) que lhe conferem poderes sobre-humanos. O personagem teria sido criado em homenagem a um personagem obscuro dos anos 40 chamado Capitão Gralha, um factóide criado para dar um molho especial ao seu background.

A revista especial Metal Pesado de 1997 homenageava os 15 anos da Gibiteca de Curitiba estampando o Gralha em sua capa e trazendo uma matéria sobre Francisco Iwerten, suposto criador do Capitão Gralha. Anos depois com o boca-a-boca elevando o fictício autor à categoria de Mestre do Quadrinho Nacional, os autores vieram a publico explicar que Iwerten e o Capitão Gralha eram de fato um artifício criativo que acabou se tornando lenda urbana.


Hoje virou moda reunir vários artistas para desenvolver diferentes concepções visuais (ou versões) à partir de um personagem para homenageá-lo. Entretanto o Gralha já nasceu deste modo, pioneiro, materializado em diferentes traços com múltiplas interpretações de seu histórico e ambiente. Suas tiras foram publicadas por dois anos no jornal A Gazeta do Povo e compiladas no belo álbum O GRALHA em 2001. Enquanto a fama do personagem se espalhava e ele ganhava versões em filmes curta-metragens dirigidos por Tako X, um de seus criadores, a possibilidade de um retorno aos quadrinhos tomava forma.

O lançamento do álbum O GRALHA: Tão banal quanto original ocorreu durante a Gibicon de 2014 junto com exposições, palestras e o lançamento de uma estátua de luxo do personagem em padrões de qualidade dignos das principais empresas de colecionáveis do mundo. Lançada em edição limitada a estatueta do Gralha vem numa embalagem especial com material exclusivo incluindo uma HQ inédita do personagem.

O livro Tão banal quanto original chega pela Editora Quadrinhópole, retomando o personagem com características multifacetadas, vários artistas, vários traços, adicionados desta vez a uma trama que costura sub-repticiamente todas as HQs. A sensação é de se estar vendo uma temporada completa de uma série de TV dessas modernas com revira-voltas e revelações. Não há necessidade de informações prévias sobre o personagem para apreciar o exemplar que tem ares de auto-contido, mas encerra com um sabor de “quero mais”.



E esse quero mais pode vir dos outros projetos relacionados ao personagem como o álbum do Capitão Gralha (Editora Quadrinhópole) ou o Artbook do Gralha, um livro ricamente ilustrado contando em imagens e textos a evolução do personagens desde seu surgimento e hqs nunca antes publicadas. Por ser um material de alto nível sua produção está sendo levada a cabo num projeto financiado via crowdfunding. Abaixo você pode ver o vídeo e saber como se tornar um apoiador do projeto.




O Gralha, mantendo suas raízes culturais e sua ligação íntima com Curitiba, é um desses maravilhosos personagens que consegue ser regional e ao mesmo tempo universal. Um dos mais importantes heróis dos quadrinhos brasileiros, leitura obrigatória para apreciadores dos heróis uniformizados e uma leitura divertida para neófilos.
Para apoiar O GRALHA-ARTBOOK no catarse clique aqui.

MAIS:
O Gralha.com.br
O Gralha (Facebook)
Gralha O Herói (facebook)
O Gralha (Grupo do Facebook)
O Gralha - ARTBOOK no CATARSE 

 

O Laboratório Espacial agradece a Alessandro Dutra, Antonio Eder, Augusto Freitas, Edson Kohatsu, Gian Danton, José Aguiar, Luciano Lagares, Nilson Muller e Tako X sem os quais essa matéria seria impossível.


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

KYRBIANS: A Pulsação do Rei ecoando pela Eternidade


Pode levar um tempo para um neófilo se acostumar com o traço estilizado e pungente de Jacob Kurtzberg – ou melhor, Jack Kirby. Pode ser inclusive que o leitor nunca venha a entender ou apreciar seu estilo. Mas, pode ser que, ao reservar-se o direito de uma mais cautelosa observação descubra o ritmo alucinante de suas cenas de ação, o movimento vívido e imersivo nas cenas cotidianas, o impacto de suas as transições e diagramações, a abrangência cósmica de suas páginas duplas e a grandiosidade dos universos criados por ele. E tudo isso com um lápis, um pincel e umas páginas de quadrinhos. Kirby não apenas escreveu e desenhou histórias: revolucionou o meio, criou tendências, gêneros e estabeleceu padrões seguidos até hoje.


Daniel Hdr é um artista de Porto Alegre que produz quadrinhos para o mercado norte-americano, mas possui um vasto currículo que vai desde aulas em Universidades a trabalhos para agencias de publicidade, apresentação de podcasts, videocasts e além. Não é um artista que se possa denominar com um só adjetivo ou determinar por meio de uma atividade apenas. Hdr é um agitador dentro do meio dos quadrinhos – talvez partilhe com Kirby o mesmo tipo de energia cinética irrefreável própria dos criativos  e partiu dele e do Estúdio Dínamo a iniciativa de tão merecida homenagem.


Kirbyans é o nome da galeria online no Tumblr que reúne artistas brasileiros (selecionados por Hdr) desenhando personagens criados ou co-criados por Jack Kirby. Cada autor reconhece ter sido influenciado em algum ponto pelo trabalho deste Mestre e aqui tem uma pequena oportunidade de prestar seus devidos respeitos e homenageá-lo. Para muito além do tributo, a galeria traz personagens famosos e personagens esquecidos, criações diversas que retornam as rodas de conversa e reavivam na memória o fato de que, assim como o Rock, os Quadrinhos também possuem seu REI! 

Clique aqui para visitar a galeria KIRBYANS




quinta-feira, 21 de agosto de 2014

MORPHINE: Da adolescência à vida adulta


De 04 a 07 de setembro (2014) acontecerá na capital do Paraná, a GIBICON, a festa do quadrinho de Curitiba. Com direito a convidados especiais, exposições, oficinas e palestras. E entre os lançamentos está MORPHINE de Mario Cau (Terapia, Dom Casmurro, Pieces).

Uma pincelada sobre a história: Morphine é a nova casa noturna da cidade onde um grupo de amigos se reencontra. Da alegria dos reencontros passando pela comemoração, ressaca e cafezinho do dia seguinte, os personagens se envolvem, se desenvolvem e se revelam, expondo fraquezas e forças. Paixões não correspondidas, solidão, bom-humor, inseguranças e medos precisarão ser encarados neste conto urbano tecido com o texto natural e o traço envolvente de Mario Cau.


A pré-venda tem uma série de vantagens exclusivas (veja na imagem acima) entre as quais o envio do livro ANTES do lançamento na Gibicon. Texto e Arte: Mario Cau. Capa cartonada colorida, miolo PB, 112 páginas, pagamento via pagseguro, moip e boleto. Adquira direto no site ou loja do autor. A promoção é limitada vai até o sábado 24 de Agosto, então é bom correr para aproveitar!


terça-feira, 19 de agosto de 2014

A Vida do Mago chega ao Cinema!



Paulo Coelho sugere polêmica, não que ele mesmo seja polêmico, mas é um autor que polariza opiniões. O filme cujo título é uma música homônima fruto de parceria com Raul Seixas sugere que as coisas mudam, nada pára... e se você parar, o mundo se encarrega de fazer as coisas andarem para você ou sobre você.

Entre os prejuízos do filme está a fórmula da modinha, a já cansada, desgastada - e neste caso específico - mal utilizada narrativa não-linear. Não fosse o carisma dos irmãos Júlio e Ravel Andrade, uma trilha sonora fantástica e mais alguns elementos de destaque, a experiência do filme seria insuportável. Os fatos apresentados desordenadamente confundem e em nada contribuem para a compreensão da trama.

Alguns pontos positivos: As relações estabelecidas entre Paulo e seu pai, um embate de egos que gera cenas envolventes e culmina num dos grandes momentos do filme; A amizade com Raul Seixas e o flerte do protagonista com elementos obscuros do mundo místico que não pareceram poupar o próprio Paulo Coelho de olhar para seus defeitos; E há de se mencionar a beleza com que é retratada a relação do Mago com sua esposa, sem pieguice como também são sem pieguice (e sem sensacionalismo) os momentos místicos retratados no filme.



Se o filme possui problemas e comete equívocos é natural que assim seja: Mas de modo algum é a melhor história de Paulo Coelho. É evidente que o subtítulo tem por objetivo vender o filme, possivelmente estimulando leitores e leigos a tentar descobrir se Paulo Coelho é seu melhor personagem. Detratores continuarão torcendo o nariz para a sua obra e continuarão ignorando suas conquistas literárias (e mercadológicas), fãs continuarão a admirá-lo, mas a neutralidade – se houver – pode aproveitar-se de uma bela viagem no tempo, pois nisto o filme supera expectativas, a reconstituição de época é imersiva ao ponto de minorar os problemas da narrativa truncada.


Não Pare na Pista é um filme interessante, com seus altos e baixos, que conta a história de um garoto que cresceu numa época em que a criatividade era uma maldição e amadureceu na luta para fazer desta criatividade seu meio de vida. 




MAIS:

Paulo Coelho no programa Roda Viva (TV Cultura)

NÃO PARE NA PISTA
Direção: Daniel Augusto
Roteiro: Carolina Kotscho

Elenco: Julio Andrade, Ravel Andrade, Fabíula Nascimento, Fabiana Guglielmetti, Paz Vega




segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Nota DEZ! Duas Vezes!



Sam Hart e Will Sideralman, o primeiro se firmou por um traço tendendo ao realista em publicações no Brasil, Estados Unidos e Inglaterra, o segundo é dono de um traço estilizado de personalidade singular, dentro e fora do Brasil. Transitando entre trabalhos autorais e encomendas específicas nas mais diversas linhas editoriais a dupla se reúne neste projeto para celebrar 10 anos de carreira e presentear a todos com uma publicação enxuta e carismática como o trabalho de ambos.

As histórias apresentadas no álbum serão uma prévia de novos projetos com páginas adicionais, preciosíssimas, resenhando vários aspectos de seus trabalhos. Em face a esta festa do quadrinho nacional o Laboratório Espacial trocou umas idéias com Will e Sam:

MARREIRO: Will, como foi seu início no mundo dos quadrinhos?
WILL: De 1999 até 2004 fiz parte de um grupo que frequentou alguns cursos e oficinas de Histórias em Quadrinhos dados por profissionais da área. Minha intenção sempre foi entrar nesse universo e me tornar um produtor, já trabalhava como ilustrador e diagramador nessa época. Aí, em julho de 2004, ajudei a criar o zine Subterrâneo, e foi nele que coloquei o pé definitivamente nesse mundo. Publicando inicialmente o Sideralman e depois o Demetrius Dante, até o fim do zine, oito anos depois. Com o Subterrâneo eu conheci outros autores e comecei a participar de várias publicações independentes que me ajudaram muito nesse início.
 

Qual a importância da produção independente para o mercado dos quadrinhos?
Ela é uma parte deste mercado, ser um autor independente é um dos caminhos para quem quer ser quadrinista. A produção independente aumentou muito, com ela, os autores cresceram se tornaram melhores, alguns atingiram a fama. Tem muito autor independente fazendo trabalhos para editoras. Existe muita qualidade nos materiais que são produzidos, tem pra todos os gostos. A grande mídia ainda não sabe disso e não se interessa em saber, na verdade não está preparada para saber.


Que principais mudanças vc apontaria do cenário da produção de quadrinhos de quando vc começou para os dias de hoje?
Como eu disse, a produção aumentou, os eventos de quadrinhos também, surgiram muitos novos autores independentes e essa fatia do mercado cresceu. As compras governamentais tornaram possível as editoras abrirem selos de quadrinhos e fazerem apostas em determinados autores. Os independentes conquistaram seu espaço nos eventos, novas comic shops abriram. A internet também cresceu, as redes sociais entraram na nossa vida e a mídia que se ocupa de dilvulgar os quadrinhos também, blogs, sites, podcasts, videocasts, etc... Surgiu o Catarse, e outros formatos de captação de recursos que estão ajudando um monte de autores a viabilizar seus projetos com sucesso.


O que nós leitores podemos esperar desta edição comemorativa 2x10!?
Duas histórias que foram feitas para divertir, é uma edição para quem curte o meu trabalho e o do Sam, porém, esperamos alcançar pessoas que não nos conhecem, ainda. As HQs que estão nessa revista são o ponto de partida para projetos maiores que estamos desenvolvendo. O roteiro que o Spacca me deu a honra de escrever espera desde 2009 para vir à luz. Na revista será apenas um aperitivo mas acho que as pessoas vão curtir. Vamos ter muitos desenhos na revista e também um pouco de história.




MARREIRO: Sam, como foi que você descobriu que queria trabalhar com quadrinhos?
SAM HART: Gostava de ler quadrinhos desde sempre, super-heróis, ficção-científica, ação, humor. Aos 6 anos, folheando um gibi do Superman me dei conta que haviam estilos diferentes nos desenhos das histórias e que, portanto, várias pessoas devem trabalhar com isso - e não somente um cara, fazendo todos os gibis do mundo :) Pensei, é isso que quero fazer!



O que você acha mais interessante nesse modelo de financiamento participativo?
É a primeira vez que tenho um projeto meu procurando financiamento, se bem que já apoiei vários tanto no Catarse quanto no Kickstarter. Acho interessante que está se realizando o futuro previsto pelo Scott McCloud no seu segundo livro (Reinventing Comics), onde ele fala sobre micro-pagamentos e uma conexão mais direta entre produtores e consumidores. Inclusive, um dos elementos da minha HQ é que há um futuro "imaginário", relacionado à produção de quadrinhos. Imaginário entre aspas, pois sou da opinião que esse futuro está próximo.


Neste projeto você e Will produzem e editam seu próprio material. Qual a diferença de ter um editor orientando o alinhamento do seu trabalho de você mesmo fazer as escolhas editoriais?
Tenho experiência com quadrinhos autorais, na Front, Kaos e fanzines na escola, faculdade e depois. Gosto de equilibrar os projetos mais pessoais, onde eu dito o estilo, o número de páginas e posso mudar o layout ou o roteiro a qualquer hora, com os trabalhos contratados, onde é necessário seguir com maior exatidão um caminho pre-estabelecido. Em ambos os casos, há problemas e questões de narrativa que precisam ser resolvidos - e, tanto quanto desenhar, gosto de resolver esses dilemas.


Esta edição comemora 10 anos de carreira. Quais anseios ou qual motivação fundamentou a escolha do tema trabalhado nesta produção específica?
Da minha parte: olhar para o passado - como é apropriado à uma edição de comemoração - com minha paixão pelos super-heróis, e também para o futuro, os quadrinhos independentes e histórias mais pessoais, são a base para as duas linhas que compõem minha HQ. O roteiro é algo em que estava pensando durante bastante tempo e, quando o Will sugeriu de fazermos essa edição, me empolguei para fazer o roteiro e desenhar pois estava muito tempo sem produzir uma HQ completamente do zero!


O lançamento do álbum está programado para a ComicConExperience (São Paulo, dezembro,2014).
Para financiar este projeto siga os links e verifique os prêmios fantásticos (livros, revistas, camisetas, prints, desenhos exclusivos) que eles estão disponibilizando para quem colaborar com valores acima de R$ 20,00.
revista capa colorida, 48 páginas, formato americano com leitura Flip-Flap. Se o financiamento participativo atingir a meta estendida, a revista sai com o miolo colorido!
MAIS:
2x10 (Will e Sam no catarse)