terça-feira, 19 de agosto de 2014

A Vida do Mago chega ao Cinema!



Paulo Coelho sugere polêmica, não que ele mesmo seja polêmico, mas é um autor que polariza opiniões. O filme cujo título é uma música homônima fruto de parceria com Raul Seixas sugere que as coisas mudam, nada pára... e se você parar, o mundo se encarrega de fazer as coisas andarem para você ou sobre você.

Entre os prejuízos do filme está a fórmula da modinha, a já cansada, desgastada - e neste caso específico - mal utilizada narrativa não-linear. Não fosse o carisma dos irmãos Júlio e Ravel Andrade, uma trilha sonora fantástica e mais alguns elementos de destaque, a experiência do filme seria insuportável. Os fatos apresentados desordenadamente confundem e em nada contribuem para a compreensão da trama.

Alguns pontos positivos: As relações estabelecidas entre Paulo e seu pai, um embate de egos que gera cenas envolventes e culmina num dos grandes momentos do filme; A amizade com Raul Seixas e o flerte do protagonista com elementos obscuros do mundo místico que não pareceram poupar o próprio Paulo Coelho de olhar para seus defeitos; E há de se mencionar a beleza com que é retratada a relação do Mago com sua esposa, sem pieguice como também são sem pieguice (e sem sensacionalismo) os momentos místicos retratados no filme.



Se o filme possui problemas e comete equívocos é natural que assim seja: Mas de modo algum é a melhor história de Paulo Coelho. É evidente que o subtítulo tem por objetivo vender o filme, possivelmente estimulando leitores e leigos a tentar descobrir se Paulo Coelho é seu melhor personagem. Detratores continuarão torcendo o nariz para a sua obra e continuarão ignorando suas conquistas literárias (e mercadológicas), fãs continuarão a admirá-lo, mas a neutralidade – se houver – pode aproveitar-se de uma bela viagem no tempo, pois nisto o filme supera expectativas, a reconstituição de época é imersiva ao ponto de minorar os problemas da narrativa truncada.


Não Pare na Pista é um filme interessante, com seus altos e baixos, que conta a história de um garoto que cresceu numa época em que a criatividade era uma maldição e amadureceu na luta para fazer desta criatividade seu meio de vida. 




MAIS:

Paulo Coelho no programa Roda Viva (TV Cultura)

NÃO PARE NA PISTA
Direção: Daniel Augusto
Roteiro: Carolina Kotscho

Elenco: Julio Andrade, Ravel Andrade, Fabíula Nascimento, Fabiana Guglielmetti, Paz Vega




segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Nota DEZ! Duas Vezes!



Sam Hart e Will Sideralman, o primeiro se firmou por um traço tendendo ao realista em publicações no Brasil, Estados Unidos e Inglaterra, o segundo é dono de um traço estilizado de personalidade singular, dentro e fora do Brasil. Transitando entre trabalhos autorais e encomendas específicas nas mais diversas linhas editoriais a dupla se reúne neste projeto para celebrar 10 anos de carreira e presentear a todos com uma publicação enxuta e carismática como o trabalho de ambos.

As histórias apresentadas no álbum serão uma prévia de novos projetos com páginas adicionais, preciosíssimas, resenhando vários aspectos de seus trabalhos. Em face a esta festa do quadrinho nacional o Laboratório Espacial trocou umas idéias com Will e Sam:

MARREIRO: Will, como foi seu início no mundo dos quadrinhos?
WILL: De 1999 até 2004 fiz parte de um grupo que frequentou alguns cursos e oficinas de Histórias em Quadrinhos dados por profissionais da área. Minha intenção sempre foi entrar nesse universo e me tornar um produtor, já trabalhava como ilustrador e diagramador nessa época. Aí, em julho de 2004, ajudei a criar o zine Subterrâneo, e foi nele que coloquei o pé definitivamente nesse mundo. Publicando inicialmente o Sideralman e depois o Demetrius Dante, até o fim do zine, oito anos depois. Com o Subterrâneo eu conheci outros autores e comecei a participar de várias publicações independentes que me ajudaram muito nesse início.
 

Qual a importância da produção independente para o mercado dos quadrinhos?
Ela é uma parte deste mercado, ser um autor independente é um dos caminhos para quem quer ser quadrinista. A produção independente aumentou muito, com ela, os autores cresceram se tornaram melhores, alguns atingiram a fama. Tem muito autor independente fazendo trabalhos para editoras. Existe muita qualidade nos materiais que são produzidos, tem pra todos os gostos. A grande mídia ainda não sabe disso e não se interessa em saber, na verdade não está preparada para saber.


Que principais mudanças vc apontaria do cenário da produção de quadrinhos de quando vc começou para os dias de hoje?
Como eu disse, a produção aumentou, os eventos de quadrinhos também, surgiram muitos novos autores independentes e essa fatia do mercado cresceu. As compras governamentais tornaram possível as editoras abrirem selos de quadrinhos e fazerem apostas em determinados autores. Os independentes conquistaram seu espaço nos eventos, novas comic shops abriram. A internet também cresceu, as redes sociais entraram na nossa vida e a mídia que se ocupa de dilvulgar os quadrinhos também, blogs, sites, podcasts, videocasts, etc... Surgiu o Catarse, e outros formatos de captação de recursos que estão ajudando um monte de autores a viabilizar seus projetos com sucesso.


O que nós leitores podemos esperar desta edição comemorativa 2x10!?
Duas histórias que foram feitas para divertir, é uma edição para quem curte o meu trabalho e o do Sam, porém, esperamos alcançar pessoas que não nos conhecem, ainda. As HQs que estão nessa revista são o ponto de partida para projetos maiores que estamos desenvolvendo. O roteiro que o Spacca me deu a honra de escrever espera desde 2009 para vir à luz. Na revista será apenas um aperitivo mas acho que as pessoas vão curtir. Vamos ter muitos desenhos na revista e também um pouco de história.




MARREIRO: Sam, como foi que você descobriu que queria trabalhar com quadrinhos?
SAM HART: Gostava de ler quadrinhos desde sempre, super-heróis, ficção-científica, ação, humor. Aos 6 anos, folheando um gibi do Superman me dei conta que haviam estilos diferentes nos desenhos das histórias e que, portanto, várias pessoas devem trabalhar com isso - e não somente um cara, fazendo todos os gibis do mundo :) Pensei, é isso que quero fazer!



O que você acha mais interessante nesse modelo de financiamento participativo?
É a primeira vez que tenho um projeto meu procurando financiamento, se bem que já apoiei vários tanto no Catarse quanto no Kickstarter. Acho interessante que está se realizando o futuro previsto pelo Scott McCloud no seu segundo livro (Reinventing Comics), onde ele fala sobre micro-pagamentos e uma conexão mais direta entre produtores e consumidores. Inclusive, um dos elementos da minha HQ é que há um futuro "imaginário", relacionado à produção de quadrinhos. Imaginário entre aspas, pois sou da opinião que esse futuro está próximo.


Neste projeto você e Will produzem e editam seu próprio material. Qual a diferença de ter um editor orientando o alinhamento do seu trabalho de você mesmo fazer as escolhas editoriais?
Tenho experiência com quadrinhos autorais, na Front, Kaos e fanzines na escola, faculdade e depois. Gosto de equilibrar os projetos mais pessoais, onde eu dito o estilo, o número de páginas e posso mudar o layout ou o roteiro a qualquer hora, com os trabalhos contratados, onde é necessário seguir com maior exatidão um caminho pre-estabelecido. Em ambos os casos, há problemas e questões de narrativa que precisam ser resolvidos - e, tanto quanto desenhar, gosto de resolver esses dilemas.


Esta edição comemora 10 anos de carreira. Quais anseios ou qual motivação fundamentou a escolha do tema trabalhado nesta produção específica?
Da minha parte: olhar para o passado - como é apropriado à uma edição de comemoração - com minha paixão pelos super-heróis, e também para o futuro, os quadrinhos independentes e histórias mais pessoais, são a base para as duas linhas que compõem minha HQ. O roteiro é algo em que estava pensando durante bastante tempo e, quando o Will sugeriu de fazermos essa edição, me empolguei para fazer o roteiro e desenhar pois estava muito tempo sem produzir uma HQ completamente do zero!


O lançamento do álbum está programado para a ComicConExperience (São Paulo, dezembro,2014).
Para financiar este projeto siga os links e verifique os prêmios fantásticos (livros, revistas, camisetas, prints, desenhos exclusivos) que eles estão disponibilizando para quem colaborar com valores acima de R$ 20,00.
revista capa colorida, 48 páginas, formato americano com leitura Flip-Flap. Se o financiamento participativo atingir a meta estendida, a revista sai com o miolo colorido!
MAIS:
2x10 (Will e Sam no catarse)

ALIANÇA - Uma aventura da série Profanatus


Vampiros são criaturas das trevas, imersos no dilema de matar para sobreviver encarando a angústia de dialogar com o mal por toda a eternidade. Símbolos sagrados, luz solar, água corrente, fogo não são elementos de fácil trato para essas criaturas.

Os personagens desenvolvidos por Fernando Lima para a série Profanatus encontram mais semelhança com os agora clássicos de Anne Rice do que com os crepusculares de Stephenie Meyer (apelidados de fadinhas pelos fans tradicionalistas da mitologia vampírica). A série desenvolvida pelo Jornalista, Escritor, Ilustrador e Designer Fernando Lima nasceu nas mesas de RPG e migrou para o mundo das ilustrações em meados dos anos 90 quando estamparam várias matérias ilustradas nos fanzines Pergaminho e Fortaleza By Night. E é na capital do Ceará que se passam as aventuras dos Profanatus.

Num mundo alternativo onde as trevas predominam sobre a luz e a decadência política e social não usa mais tantos eufemismos para se disfarçar, encontramos um protagonista que é tragado para um grande conflito por elementos de seu passado.

Lançado originalmente em capítulos no site www.armagem.com, ALIANÇA ganha agora versão impressa pelo selo Laboratório Místico. São 40 páginas, formato 20cm x 14cm, capa colorida e miolo PB. Inclui matéria sobre o surgimento da série nas mesas de RPG e um histórico sobre os Vampiros e sua evolução desde os mitos antigos até recentes versões cinematográficas. A revista pode ser adquirida via e-mail (labespacial@gmail.com).


quinta-feira, 31 de julho de 2014

Guardiões na Ópera




O termo Space Opera, a exemplo de vários outros teve sua conotação mudada com o tempo. Surgido inicialmente como termo depreciativo e se sofisticado para categorizar um tipo específico (e muito nobre) de ficção científica: dramas heróicos passados em mundos distantes envolvendo grandes conflitos ou combates em um tom otimista. A odisséia de Flash Gordon no Planeta Mongo, a trajetória da família Skywalker em Guerra nas Estrelas e as viagens da nave estelar Enterprise e sua tripulação ganham agora uma companhia inusitada. O até então desconhecido e desajustado grupo de super-heróis espaciais da Marvel Comics: Os Guardiões da Galáxia.

Houve tempos em que ler uma história em quadrinhos era uma experiência não apenas fascinante, divertida e única: era uma experiência autocontida. Nesta época, surgiram os personagens Thanos, Warlock, Gamora, Rock Racoon, Nova e os Guardiões da Galáxia. É preciso dizer que com a evolução do mercado de quadrinhos e a influência (e concorrência) dos mangás, os quadrinhos ocidentais ganharam histórias confusas, falsamente adultizadas, sem fim, repletas de ganchos e atadas a supersagas de final medíocre.

Se há um mérito que precisa ser dado às adaptações cinematográficas é que quando bem executadas elas “limpam a casa” para que um novo público possa embarcar na sua narrativa compreendendo exatamente do que se trata a trama e quem são os personagens. E é isto que está acontecendo com os Guardiões da Galáxia.

Uma busca interplanetária por meio de planetas exóticos repletos de adversidades e ameaças de grandes proporções. Ronan é um vilão perverso e poderoso sem maiores conflitos psicológicos no que tange a massacrar seus desafetos. Entre estes desafetos estão os protagonistas: Senhor das Estrelas, Petter Quill, um “herói” cheio de defeitos, mas carismático e inteligente; Gamora, uma assassina habilidosa com motivações dúbias; Rocket Racoon um contraventor e caçador de recompensas de temperamento irascível;  Groot, uma forma de vida vegetal com um perspectiva diferente de todos... e Drax, também chamado de Destruidor - a vingança, o ódio e a fúria materializados num personagem curiosamente cativante.

E a reboque de uma incrível aventura a produção explora, expande e apresenta ao público o universo espacial já conhecido pelos leitores dos quadrinhos. Referências diretas e pequenas citações ocultas fazem parte desta construção, mostrada de uma maneira convincente e cativante. Pronta para conquistar fãs de quadrinhos e leigos da mesma forma. Com isto o Universo Espacial dos filmes Marvel se mostra sólido o suficiente e se torna um ambiente propenso a ser visitado várias e várias vezes.




Fita cassete do Petter Quill mp3 pra download: vai!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Clássicos da Literatura em Quadrinhos


É de conhecimento público a afinidade dos quadrinhos com o público jovem, seja por sua linguagem direta, seja pelo encanto promovido pelas associações entre palavra e imagem, seja pela diversidade de seus temas e gêneros. E é justamente a diversidade de temas e gêneros que encontramos na coleção Clássicos da Literatura em Quadrinhos (Editora L&PM). Longe de ser a primeira inicitiva em associar obras da literatura a quadrinhos, esta coleção chega para ampliar as opções no gênero.


A série Histórias Maravilhosas da saudosa editora Ebal marcou época nos anos 50 e várias iniciativas seguiram a tendencia tentando aproximar por meio das Hqs os leitores e as obras clássicas. A medida que esses produtos escoavam iam se aprimorando tanto em linguagem quanto em acabamento gráfico. Algumas adaptações antigas restringiam-se a acrescentar imagens ao texto original que sofria redução e cortes para contemplar o espaço da revista. A percepção de adaptação mudou com o tempo e é possível ver histórias recontadas adequando-se à linguagem própria do quadrinho com suas transições, viradas de página, full pages e outros recursos. Adaptar uma obra requer pinçar o interessante, o cerne das questões, as inquietações fundamentais dos personagens e da trama e enxugar gorduras e detalhes que nublem a obra. Esses critérios, definidos pelo editor e equipe criativa, resultam num novo produto que tem como bússola a obra original. Quadrinhos e Literatura na medida em que se utilizam de recursos distintos para transmitir sua mensagem são coisas diferentes, mas podem sim caminhar juntas.


Além de trazer a magia da imagem com suas cores, cenários e personagens exuberantes a coleção da L&PM apresenta matérias que contextualizam a obra ao final de cada edição. Com isso podemos saber mais sobre o escritor, a obra original, seu tempo e sua história. Os textos redigidos de maneira clara – sem enfeites e alegorias desnecessárias – somados às histórias muito bem contadas, empolgam e fascinam a ponto de gerar a necessária curiosidade a respeito a obra original. Quanto aos autores destes quadrinhos: de forma alguma são Pop Stars como Neil Gaiman ou Jim Lee, mas o resultado de seus trabalhos fala por si. De onde se conclui que uma boa obra em quadrinhos não se faz com nomes famosos, mas com uma narrativa bem construída.

MAIS:











segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Capitão Rapadura: Coração Brasileiro - Saiba Como Foi!



 "Cê viu a arte do Fulano?"
“Vi. Genial! Olha esse estilo aqui!”
“Viu esse cara?! Tu acredita que esse cara desenhou o Capitão Rapadura?!”
“Eu nunca imaginaria ver o Capitão do traço do Sicrano, ficou muito irada!”
“Hahaha! Olha esse aqui que maneiro!”
“Olha esse artista! Eu sou muito fã dele!”

Esses pequenos comentários somados a palpitações, sorrisos e olhos brilhando — aconteceram durante a estréia da exposição Capitão Rapadura: Coração Brasileiro. Artistas de diversos estados participaram de uma homenagem ao personagem criado pelo cartunista Mino.

Diversos estilos de ilustração, diversas técnicas, diversas visões reinterpretando o herói que tudo atura. A exposição iniciou às 8h do sábado 25 de janeiro como programado celebrando duplamente o Dia do Quadrinho Nacional (oficialmente 30 de janeiro) e os 43 anos da Biblioteca Dolor Barreira, sede da Gibiteca Municipal de Fortaleza. A exposição organizada por JJ Marreiro teve apoio do Fórum de Quadrinhos do Ceará e da Diretoria da Biblioteca na pessoa da Profa. Herbenia Gurgel sem a qual diversos eventos de quadrinhos teriam sido impossíveis.

 
O Título da exposição “Coração Brasileiro” foi escolhido pelo acolhimento que o personagem tem tido desde os anos 90 em todo o país. O humor, o bom-mocismo, a responsabilidade social e a consciência política registrada em suas aventuras conferem a ele um caráter humano e uma personalidade própria responsável por boa parte do seu sucesso.


A exposição ocorre na esteira das comemorações de 40 anos do personagem que ganhou um álgum especial editado pelo Fórum de Quadrinhos do Ceará e Armazém da Cultura, uma nova revista em formatinho “Capitão Rapadura-série ouro”, além de retornar as tiras de jornal diariamente. A maior parte dos eventos da comemoração aconteceu de modo espontâneo com os artistas se mobilizando para que o aniversário não passasse despercebido. Enquanto o álbum envolve apenas cearenses, a Exposição reúne artistas que não estão no álbum aliados a artistas de projeção nacional e internacional. A exposição, embora tendo sido planejada com certa antecedência só foi anunciada na semana do evento DQN: 2014. Os artistas participantes só foram anunciados 3 dias antes e nenhuma arte foi divulgada até 25 de janeiro, fazendo com que as imagens gerassem grande surpresa no público. Fãs do quadrinho brasileiro foram brindados com artes de alguns dos mais importantes representantes da Arte Sequencial no país conferindo à celebração do DQN 2014 um caráter mais amplo, pois se não havia patrocínio para trazer convidados, entretanto havia simbolicamente a presença de todas as vertentes de gêneros e estilos dos quadrinhos brasileiros.
 

Exposição Capitão Rapadura: Coração Brasileiro
25/jan a 01/fev
Biblioteca Dolor Barreira
Av. Universidade 2572
Fortaleza-CE

ARTISTAS:

Jean Okada;  Jean Sinclair;   José Carlos Braga;   Júlia Pinto;   Laudo Ferreira Jr;  Lorde Lobo;    Netho Diaz ;    Octávio Cariello;    Omar Viñole;
Robson Albuquerque;    Romahs; 
Walber Feijó;    Will;


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Vai procurar tua TURMA...





Todo dia alguém joga uma pedra no Quadrinho Brasileiro. Todo dia essa pedra é usada para construir uma fortificação, pois as opiniões dos detratores do quadrinho nacional a cada dia ficam mais frágeis quando materiais no nível de Turma da Tribo ganham vida.

A fórmula para um quadrinho excelente nem sempre pode ser repetida, pois conta com muitas variáveis, entretanto nesta edição é fácil perceber a união de um ótimo roteiro com um ótimo desenho e um ótimo acabamento gráfico. Financiado via edital e reunindo elementos da cultura brasileira, folclore, cenários e tipos, o resultado é um quadrinho imperdível com uma personalidade única.

Pronta para ser utilizada nas escolas como material paradidático, a Turma da Tribo oferece uma leitura que diverte, informa e estimula o debate. Saiba mais através das palavras dos próprios autores em nossa mini-entrevista:

MARREIRO: Você acha que temas brasileiros são pouco explorados pelos autores brasileiros? E nesse contexto porque exatamente "Índios"?
 
GIAN DANTON: O preconceito contra temas brasileiros já foi maior. Houve uma época que mesmo os quadrinistas torciam o nariz para um personagem com nome brasileiro. Mas mesmo assim ainda existe preconceito. E nós temos uma rica mitologia, basta que ela seja bem explorada. Quando comecei a pensar na Turma da Tribo a ideia era fazer algo nos moldes do Asterix. Sempre gostei da forma como os franceses valorizam sua cultura e isso fica bem claro no caso do Asterix. Se eles têm os gauleses resistindo aos romanos, nós temos os índios resistindo aos diversos invasores, dos portugueses aos madeireiros. Era uma forma também de chamar atenção para um tema muito atual, que é as invasões que as reservas indígenas sofrem de pessoas interessadas em ouro, madeira... Ou seja: o tema era atual e interessante. Tinha tudo para dar uma boa HQ.

Os editais de cultura são uma boa opção para viabilizar um segmento de quadrinhos mais voltados para a cultura?
 
Sem dúvida. A Turma da Tribo só se tornou viável graças a isso, até porque é um trabalho detalhado, todo em policromia, papel couchê, mas de personagens desconhecidos.
 
Só para atiçar a curiosidade dos nossos leitores, Gian, como é a Turma da tribo?
 
É uma história em quadrinhos infantil, mas que os adultos também vão gostar. Tanto o desenho quanto o roteiro são na linha franco-belga, com piadas visuais e trocadilhos. Na história, a reserva indígena é invadida por um madeireiro (o Doutor Malino, que fica emburrado quando alguém não o chama de Doutor!) e seus ajudantes atrapalhados. Os indiozinhos protagonistas serão responsáveis por evitar que ele consiga seus objetivos. 
MARREIRO: Na Turma da Tribo são notáveis os cuidados com figurinos, cenários. Vegetação e vida animal também são retratados de maneira muito crível. Qual o nível de importância da pesquisa para um trabalho como esse?
 
RICARDO MANHÃES: Vejo a “ambientação” de uma HQ, o cenário e o figurino, como uma ferramenta poderosa para contextualizar o texto e aproximar o leitor do roteiro no qual estou trabalhando. No caso da Turma da Tribo, a vegetação tem um papel fundamental visto que estamos falando das florestas brasileiras e da força da natureza.Evidentemente que nem todas aquelas plantas ou flores (vistas na HQ) existem na realidade, mas o objetivo é conceituar uma floresta “genérica” e deixar a criatividade rolar.
 
Nas artes cênicas é comum ouvir que fazer rir é bem mais difícil que fazer chorar. Como você vê essa relação nas artes gráficas?
 
Nas artes gráficas não é muito diferente. No caso da HQ de humor é necessário que os resultados gráficos façam sentido dentro do mundo fictício ou caricato que você cria, ou seja, mesmo se tratando de uma “distorção”, aquilo tem que funcionar dentro de um padrão estabelecido. Digamos que, sim, é mais difícil fazer rir do que chorar.
 
O que acha da utilização de temas brasileiros/regionais (boiadeiros, pantaneiros, cangaço, etc) para a produção de quadrinhos? Pode haver uma ligação maior entre esses quadrinhos e as escolas?
 
Acho que é um excelente caminho para as HQs nacionais. O que temos aqui no Brasil, como costumes e cultura só existem aqui. Quem melhor que nós mesmos para retratar o Brasil? Acho que o momento é esse.
Quanto à ligação entre quadrinhos e escola, vejo que a própria Turma da Mônica mostra que as HQs são um importante veículo na alfabetização e na criação de um futuro público leitor, seja de quadrinhos ou romances. Espero que o Brasil siga nesse caminho, que pelo menos no que diz respeito às HQs, promete um grande futuro.
Obrigado, João, pela entrevista. E continue sendo essa referência que você é.

Mais coisa: